Um pouco de um Eduardo.

segunda-feira, junho 08, 2009

O dia que tentaram viver

Foi no dia que eles tentaram viver
Deu-se a verdadeira morte do artista
O João Pestana das palavras
A morte dos ditos e chamados poetas
Amortalhados nas suas palavras de presságio

Foi o pranto dos seres que lêem a palavra vida
Por ali perdidas as mesmas palavras se lamentam
Pelos sentimentos que perderam o pai e a mãe

A tristeza, seca as lágrimas numas folhas ausentes de escrita
A alegria, procura onde está quem a trouxe ao mundo
Os outros filhos abraçam a mesma vontade dos irmãos
Todos pensam se ficaram órfãos da sua própria existência

Ali jaz uma condição que nunca será ela uma verdade
Numa morte anunciada durante o festejo desta vida
Poeta, homem e mulher, feitos de sonho e razão infinita.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Existo

Um dia fiquei sozinho no meio do mar
Dei conta que estava nos braços da mãe natureza
Que como o mar se estendia por cima de mim um céu

O azul tão dominador que nos rodeia e nos protege
Mais do que uns dos outros de nós próprios
Recordando-nos de quem realmente somos

O respeito de nos chamarmos homem e mulher
Seres de aspecto divino e de ignorância vivida
Aqui estou eu nome igual entre os largos biliões

Abraçado neste todo cujo nome pisado pelos meus pés
Agarrado sem tacto nas minhas mãos sem forma de tocar

Ao menos fosse alguém explicar pelo meio o como de respirar
Sermos nós biliões de partículas de oxigénio que vive solto

Dizer que no meio do céu e do mar existe uma multidão só
Capaz de dizer que é alimento daquilo que diz ser vida

quinta-feira, dezembro 18, 2008

É Natal

É Natal.
Tanta alegria no mundo
Que só apetece cortar os pulsos!
O direito..
Por cada bomba que rebenta
Deixando sem casa uma família de doze
Que se procuram em tamanha aflição
Desejando neste Natal
Continuarem a ser os mesmos doze
Unidos, mesmo sem um telhado
Que lhes permite ver o céu
E a estrela da boa nova
Aquela da historia de um messias
Que foi visitado por três
E agora nem olha para estes doze

É Natal
Tanta alegria no mundo
Que só apetece cortar os pulsos!
Agora o esquerdo…
Quando olho para o meu prato
Cheio de comida.
E enjoa-me saber que ali ao lado
Esta a minha mesa de miséria Franciscana
Comparada aos que deixam apodrecer alimentos
E falam de boca cheia.
Arriscando-se a ter um enfarte da alma
Isto se verem uma criança de oito anos
Receber algo mais precioso que ouro, incenso e mirra
Um simples saco de farinha.
Que pelo facto de ser um
Partilha-o com a sua mãe sozinha
Que amamenta o seu irmão mais novo
O mais recente familiar de doze.

É Natal
Tanta alegria no mundo
Por favor! Não cortes os pulsos!
Porque neles corre o sangue
Que dão vida ás tuas mãos
Capazes de fazer em cada dia do ano
Para todo o mundo.
Um verdadeiro Natal.

terça-feira, novembro 11, 2008

De Manhã amanhã

E dia diz-me esta manhã triste e pouco desperta
São as mãos da existência que me puxam as pernas
Fazendo-me sentir o soalho que há anos me faz ficar velho

Dele começa a vida que te faz deixar a cama despida
Começo eu abre a torneira, fecha a torneira.
Mal consigo comer do prato, lavar o prato
Para, arranca no ainda e cedo que no relógio já se faz tarde

Somo filas intermináveis de condenados aos soluços do dia
Ninguém sabe quem é o primeiro ou o ultimo desta lei
Apenas temos que chegar uns aqui outros mais além
Porque no dia temos que sempre voltar a clausura
De uma manhã que se aproxima com ordem de soltura

quinta-feira, agosto 14, 2008

Em tempos de mar e amar

Que tempos se vivem por aqui à volta
Em épocas daquele calor intenso e bravio
Arriscam-se vidas a marear numa casca de noz
Porque é certo para nós que não queremos um navio

Por isso se fazemos ao mar que na nossa fuga é frio
Nele vamos remar e remar até onde a agua parar
Onde nele está vida com nome e ausência de vazio
Em ti chamo amar e mais mar de vezes sem fio

Haveremos de voltar do mundo onde vive o mar
Em tempos de promessas de sempre lá voltar
Dele trazemos vida dada ao calor intenso e bravio
Faz lembrar o mar e o amar sempre que para ti sorrio

sábado, junho 07, 2008

Só por hoje….

Só por hoje sentei-me na vida de uma estrela
Elevei-me aos céus em sinal de perdão colo de mãe
De em tempos estremunhados e choros inquietos
Ter sido um dos anjos caídos pelas vozes dos insurrectos

Perguntei ao tímido brilho que diminui a cada verbo meu
Se toda a sua vida se entranha nas minhas palavras sem lei
Arrasto essa sua cor de luz pelos caminhos da minha mão
Como nómada celeste que viaja em astros sem constelação

Só por hoje tenho o gosto de sentar na vida de uma estrela
Onde fui convidado a morar num céu sem porta ou fechadura
Nem estranho sicrano ou beltrano viu que o brilho se perdeu
Porque no céu ao lado há uma estrela que em si o tempo dura

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Banco de Jardim

São as horas em que os minutos se atrasam
Aquele tempo em que eu passo por mim
Vejo-me a olhar aquele banco de jardim
Onde me vejo velho e não vejo fim

Jardim que nunca brinquei junto a escola
Nunca fui neto de tanto me chamarem pai
Esse jardim foi terra que semeou o meu pão
Com meia sardinha que não conheci o seu mar

Hoje neste sitio só já moro eu e a saudade
Tudo acontece depressa demais e por si passa
Aquilo que eram jornais já não é novidade
São imagens e vozes com uma estranha graça

São as horas em que os minutos se atrasam
Novamente falo do tempo que fica cansado
Desta gente que sem dar conta por si passam
Neste banco de jardim...Eu…Sorrindo e sentado

segunda-feira, janeiro 14, 2008

No caminho de mais um cigarro

Estrada de assombrações que te cobrem terra maldita
São estes os caminhos que ligam um povo que corre
Neles rodam o teu cheiro em piso de sorte desdita
Mais a frente a tua sombra se cobre em escura brita

Levas na mão, cigarro sujo como esse alcatrão
Esse que pisas mas quem em ti vive no pulmão
Não te inquietas por na vida procurares a morte
Porque mesmo com este sinais não procuras a razão

Deixa-me ao menos a mim voar nas asas do infinito
Na passagem deste caminho onde em agonia soltas um grito
São assombrações que se esfumam nos teus dedos encardidos
As quais com o meu sopro afasto tirando-te de um mundo maldito

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Vou ter com a minha gente

Povo meu, Gente minha que me acolhes
Adentro nas tuas casas me sento junto a lareira

Que saudades tenho de vocês meus queridos velhos
Do vosso silêncio ao encherem de carne a tripa do porco
Ouvir-te a ti minha tia de setenta anos que fala do ano passado
Esperamos juntos pela hora em que nos deitemos em colchões de lã

Sonho eu a manhã seguinte em que me deixes dar trigo as galinhas
Vejo-te nesta manhã com o teu olho no fogão onde assenta o almoço

O nosso dia vai crescendo nos cumprimentos aos compadres
Esses que a par de nós nos deixam a sua porta aberta
Onde entra o sol e a brisa que faz respirar as tuas paredes de cal
Por onde entro também para lanchar leite com café e pão com manteiga

Povo meu, Gente minha que me acolhes….
São estas as palavras que viveram a tua vida
Por lá passei eu de forma alegre e sentida
Tudo de mim em ti ficou e nada foi de partida

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Para o meu pai

Papá, Papá....
Tenho sono, mas não quero dormir
Tenho saudades e não te quero ver partir
Fica comigo com o teu ar sério ou em sorriso
Quero abraçar-te e nunca mais te largar
Quero viver tudo aquilo que prometeste
Pela tua vontade de tanto me amar

Papá, Papá…
Cada dia acordo com a buzina do teu carro
Até trocava os sapatos com a pressa de correr para ti
Pai é hoje que vamos á pesca?
Vamos galgar terra até chegarmos ao mar?
Tanto me faz! Qualquer coisa!
Apenas contigo quero estar!

Papá, Papá…
Nestas palavras falamos de nós
Memórias em que para ti não me canso de olhar
Por seres aquele que me deu a mão ao pular o tempo
Que para sempre não esquecerei que hei-de sempre te amar

domingo, dezembro 23, 2007

De vez em conto

Homem sem idade, louco, sábio…
Gafanhoto das estrelas
Deixa-me sentar junto a ti e ouvir

Ouvir esse teu conto de gente
Que fazem rufar os tambores
E as flautas esguias de estranhas melodias

Desenhas o nosso sonho alquimista
Em ventos de encantos criminosos
Traças, rostos calados no teu pó de pedra
Que se aprisionam nas nossas mentes silenciosas

Deixa-nos gritar por o nosso desejo de tremer
Assusta-nos como crianças fora do leito da mãe
Recomeça esses dizeres que o tempo te deixou nas mãos
Fala-me como fui um homem condenado…
Em que juntei-me nesse teu lugar mundo ao resto dos irmãos

sábado, dezembro 22, 2007

Acredito em ti

Acredito em ti, Acredito em ti
Deixa-me, que tu sejas feliz
Que possamos estar juntos num dia santo
Num dia em que o sol se mata
E que volte a nascer por esta coisa que nos une
Enquanto esse momento acontece
Que em nós viva esses abraços e beijos sentidos
Carícias que nos provoquem a alegria prometida
Que da tua boca soem as palavras que te fazem viva
Mulher que és minha e toda a tua alma despida

Acredito em ti…
Enquanto caminhamos na areia vincada pelo amor
São os nosso passos que nos fazem lembrar o amanhã
São as nossas mãos correntes que nos prendem ao destino
És a minha vontade, o meu prolongado desatino

Acredito em ti…
Porque amanhã serei eu como tu és para mim

domingo, dezembro 16, 2007

Heroína, cocaína, ecstasy

Heroína, cocaína, ecstasy

Tudo e mais este pouco tomei
Para que viesses para dentro de mim
Tentei comprar-te em pequenas doses
Quando te queria toda em tamanho frenesim

Alucinei vontades tristes e efémeras euforias
Sentia-me um rei com um verdadeiro trono
Quando na verdade ia nu e só mesmo tu rias

Heroína, cocaína, ecstasy

Ressacado do speed ball que viveu em mim
Foste garrote apertado que me prendeu a vida
Quando para ti caminhava como amor suicida
Reparei que antes de em ti ser, já tinhas tido fim

Heroína, cocaína , ecstasy……

sábado, dezembro 15, 2007

Testemunha da tua vida sem nome

Sou a tua testemunha de mais este dia
Em que o sol por ti passa nesse olhar desmaiado
O teu forte é essa cadeira sem braços que te apoiem
És um corpo pingado no pires da chávena desse café

Veneras o chão pelo qual tu te arrastas em cada segundo
Não te negas a viver o tempo seco e gélido que faz na tua boca
Levas uma vida mais cinzenta que o borrão desse cigarro
Esse que de incandescente se consome como fosse o teu farol

Faz-me um sinal se estas a sorrir ou se a morte te leva a dormir
Será que continuas contigo quando a noite cai e se correm persianas
És aquela figura que ficou semeada por algum medo numa cadeira
Da qual eu sou sua testemunha de hoje e de mais outros dias.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A poesia foi feita prós feios

A poesia foi feita prós feios!
Em 30 anos ou mais de vida….
Nunca vi o Cyrano ou o Camões
Desfilar numa passerelle!

Mal fosse se assim o fosse!
Não tinha Cyrano que cheirar versos
Com a sua longa protuberância nasal
Ou não visse Camões o mundo com bons olhos!

Mal fosse se assim o fosse!
Se tal como esta capa de couro polido
Fossem as páginas interiores do meu livro
Acreditar que a poesia foi feita prós feios.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Com esta vida

Com estas mãos, te toco
E pergunto-me quem és
Entre as impressões digitais

Com estes braços, te abraço
Procurando saber se te envolvo
Como o fiz daquela primeira vez

Com esta boca, te beijo
E tento saborear-te em cada momento
Que aconteceu este toque envergonhado

Com esta voz, te chamo
Esperando que venhas ter comigo
Para falarmos sobretudo de ti

Com esta cabeça, penso
Penso que…
Com estas mãos
Com estes braços
Com esta boca
Com esta voz
És aquilo que diz ser vida

quinta-feira, novembro 01, 2007

Painkillers

You take me a mortal question
As i wake soaked up in my sweat
What the hell have I….
Looking to my hair getting thin
My memories come haunting me
And i ask to myself if i have some…

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

I see people laughing at my soul nudity
And i hide my own in the shadows of darkness
Where my youth becomes softer than the air
My fingers crawl in that room searchin for….

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

I wait in bleedin thoughts and i can´t stop thinking
Thinking about thinking when you become a healing
My eyes and palms are dripping guilt and innocence
Im just one more hell angel wating for the same….

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

Want you be my friend… I hope so if you are…

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

quarta-feira, outubro 31, 2007

O dia em que chegou o dia

Sabia que chegaria o dia
Em que a mão da razão me tocaria nas costas
E de uma forma perdida a realidade me abraçasse
Perguntando-me o que vivi eu no dia de amanhã
Se terá sido o dia em que tentei viver mais que a vida
Em que sorri entre lábios de tristeza e uma estranha alegria
Resignei-me e despontei as aguarelas quase secas de pensar
De me verem tão cinzento e sedento pela força que me faz caminhar
E aquela vontade de quem nos acompanha no silencio do pensamento
E nos entoa e grita do fundo que nos ameaça um dia tocar
Dai nasce aquele punho cerrado de mão aberta e pujante
Que agarra e enfrenta esse dia que vivo e teimo em passar
Porque hoje chegou esse dia
Em que amanhã sou eu que existo em que amanhã vou estar

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pour toujours cette nuit

Tu sais est dans la nuit que je sens plus ton manque
je me rappelle que le monde existe pour quelque raison.
Les sourires il vient avoir avec moi
Comme une maison pleine d'amis
De bras ouverts je les reçois comme si dans mes bras t'avait à toi
Pour cette éternité qui est notre temps
Et dans le moyen d'eux nous rions et fêtons notre amour
comme deux enfants la récréation à dejouer
Demain de certitude qui sera nôtre
Parce qu'aujourd'hui nous sommes joints dans une nuit
que jamais plus va finir

Te escucho

Hoy me acuerdo de los días que han venido por la paz
Me acuerdo que las calles estaban desnudas y respiraban libertad
Mi fortuna mi voluntad estaba en tus manos llenas de sudor
En el pueblo se gritaba por tu nombre en vagas de amor.

Eres la esperanza que vive aún en la mirada del corazón
Hijos oriundos de la tierra que te creen la raíz de la razón
Grita y pone a caballo por los campos de la virtud
Y lo verás adelante que lo futuro es tu juventud.

Aún quédate por un momento en las palabras de ayer
Tus padres te enseñarán tu espíritu culpable de ver
El tiempo que no cambia para los que luchan
Pero traen felicitad y fuerza para los que escuchan

Hoy me acuerdo el día que viniste por mi paz……
Te escucho.