Um pouco de um Eduardo.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Banco de Jardim

São as horas em que os minutos se atrasam
Aquele tempo em que eu passo por mim
Vejo-me a olhar aquele banco de jardim
Onde me vejo velho e não vejo fim

Jardim que nunca brinquei junto a escola
Nunca fui neto de tanto me chamarem pai
Esse jardim foi terra que semeou o meu pão
Com meia sardinha que não conheci o seu mar

Hoje neste sitio só já moro eu e a saudade
Tudo acontece depressa demais e por si passa
Aquilo que eram jornais já não é novidade
São imagens e vozes com uma estranha graça

São as horas em que os minutos se atrasam
Novamente falo do tempo que fica cansado
Desta gente que sem dar conta por si passam
Neste banco de jardim...Eu…Sorrindo e sentado

segunda-feira, janeiro 14, 2008

No caminho de mais um cigarro

Estrada de assombrações que te cobrem terra maldita
São estes os caminhos que ligam um povo que corre
Neles rodam o teu cheiro em piso de sorte desdita
Mais a frente a tua sombra se cobre em escura brita

Levas na mão, cigarro sujo como esse alcatrão
Esse que pisas mas quem em ti vive no pulmão
Não te inquietas por na vida procurares a morte
Porque mesmo com este sinais não procuras a razão

Deixa-me ao menos a mim voar nas asas do infinito
Na passagem deste caminho onde em agonia soltas um grito
São assombrações que se esfumam nos teus dedos encardidos
As quais com o meu sopro afasto tirando-te de um mundo maldito

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Vou ter com a minha gente

Povo meu, Gente minha que me acolhes
Adentro nas tuas casas me sento junto a lareira

Que saudades tenho de vocês meus queridos velhos
Do vosso silêncio ao encherem de carne a tripa do porco
Ouvir-te a ti minha tia de setenta anos que fala do ano passado
Esperamos juntos pela hora em que nos deitemos em colchões de lã

Sonho eu a manhã seguinte em que me deixes dar trigo as galinhas
Vejo-te nesta manhã com o teu olho no fogão onde assenta o almoço

O nosso dia vai crescendo nos cumprimentos aos compadres
Esses que a par de nós nos deixam a sua porta aberta
Onde entra o sol e a brisa que faz respirar as tuas paredes de cal
Por onde entro também para lanchar leite com café e pão com manteiga

Povo meu, Gente minha que me acolhes….
São estas as palavras que viveram a tua vida
Por lá passei eu de forma alegre e sentida
Tudo de mim em ti ficou e nada foi de partida

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Para o meu pai

Papá, Papá....
Tenho sono, mas não quero dormir
Tenho saudades e não te quero ver partir
Fica comigo com o teu ar sério ou em sorriso
Quero abraçar-te e nunca mais te largar
Quero viver tudo aquilo que prometeste
Pela tua vontade de tanto me amar

Papá, Papá…
Cada dia acordo com a buzina do teu carro
Até trocava os sapatos com a pressa de correr para ti
Pai é hoje que vamos á pesca?
Vamos galgar terra até chegarmos ao mar?
Tanto me faz! Qualquer coisa!
Apenas contigo quero estar!

Papá, Papá…
Nestas palavras falamos de nós
Memórias em que para ti não me canso de olhar
Por seres aquele que me deu a mão ao pular o tempo
Que para sempre não esquecerei que hei-de sempre te amar

domingo, dezembro 23, 2007

De vez em conto

Homem sem idade, louco, sábio…
Gafanhoto das estrelas
Deixa-me sentar junto a ti e ouvir

Ouvir esse teu conto de gente
Que fazem rufar os tambores
E as flautas esguias de estranhas melodias

Desenhas o nosso sonho alquimista
Em ventos de encantos criminosos
Traças, rostos calados no teu pó de pedra
Que se aprisionam nas nossas mentes silenciosas

Deixa-nos gritar por o nosso desejo de tremer
Assusta-nos como crianças fora do leito da mãe
Recomeça esses dizeres que o tempo te deixou nas mãos
Fala-me como fui um homem condenado…
Em que juntei-me nesse teu lugar mundo ao resto dos irmãos

sábado, dezembro 22, 2007

Acredito em ti

Acredito em ti, Acredito em ti
Deixa-me, que tu sejas feliz
Que possamos estar juntos num dia santo
Num dia em que o sol se mata
E que volte a nascer por esta coisa que nos une
Enquanto esse momento acontece
Que em nós viva esses abraços e beijos sentidos
Carícias que nos provoquem a alegria prometida
Que da tua boca soem as palavras que te fazem viva
Mulher que és minha e toda a tua alma despida

Acredito em ti…
Enquanto caminhamos na areia vincada pelo amor
São os nosso passos que nos fazem lembrar o amanhã
São as nossas mãos correntes que nos prendem ao destino
És a minha vontade, o meu prolongado desatino

Acredito em ti…
Porque amanhã serei eu como tu és para mim

domingo, dezembro 16, 2007

Heroína, cocaína, ecstasy

Heroína, cocaína, ecstasy

Tudo e mais este pouco tomei
Para que viesses para dentro de mim
Tentei comprar-te em pequenas doses
Quando te queria toda em tamanho frenesim

Alucinei vontades tristes e efémeras euforias
Sentia-me um rei com um verdadeiro trono
Quando na verdade ia nu e só mesmo tu rias

Heroína, cocaína, ecstasy

Ressacado do speed ball que viveu em mim
Foste garrote apertado que me prendeu a vida
Quando para ti caminhava como amor suicida
Reparei que antes de em ti ser, já tinhas tido fim

Heroína, cocaína , ecstasy……

sábado, dezembro 15, 2007

Testemunha da tua vida sem nome

Sou a tua testemunha de mais este dia
Em que o sol por ti passa nesse olhar desmaiado
O teu forte é essa cadeira sem braços que te apoiem
És um corpo pingado no pires da chávena desse café

Veneras o chão pelo qual tu te arrastas em cada segundo
Não te negas a viver o tempo seco e gélido que faz na tua boca
Levas uma vida mais cinzenta que o borrão desse cigarro
Esse que de incandescente se consome como fosse o teu farol

Faz-me um sinal se estas a sorrir ou se a morte te leva a dormir
Será que continuas contigo quando a noite cai e se correm persianas
És aquela figura que ficou semeada por algum medo numa cadeira
Da qual eu sou sua testemunha de hoje e de mais outros dias.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A poesia foi feita prós feios

A poesia foi feita prós feios!
Em 30 anos ou mais de vida….
Nunca vi o Cyrano ou o Camões
Desfilar numa passerelle!

Mal fosse se assim o fosse!
Não tinha Cyrano que cheirar versos
Com a sua longa protuberância nasal
Ou não visse Camões o mundo com bons olhos!

Mal fosse se assim o fosse!
Se tal como esta capa de couro polido
Fossem as páginas interiores do meu livro
Acreditar que a poesia foi feita prós feios.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Com esta vida

Com estas mãos, te toco
E pergunto-me quem és
Entre as impressões digitais

Com estes braços, te abraço
Procurando saber se te envolvo
Como o fiz daquela primeira vez

Com esta boca, te beijo
E tento saborear-te em cada momento
Que aconteceu este toque envergonhado

Com esta voz, te chamo
Esperando que venhas ter comigo
Para falarmos sobretudo de ti

Com esta cabeça, penso
Penso que…
Com estas mãos
Com estes braços
Com esta boca
Com esta voz
És aquilo que diz ser vida

quinta-feira, novembro 01, 2007

Painkillers

You take me a mortal question
As i wake soaked up in my sweat
What the hell have I….
Looking to my hair getting thin
My memories come haunting me
And i ask to myself if i have some…

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

I see people laughing at my soul nudity
And i hide my own in the shadows of darkness
Where my youth becomes softer than the air
My fingers crawl in that room searchin for….

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

I wait in bleedin thoughts and i can´t stop thinking
Thinking about thinking when you become a healing
My eyes and palms are dripping guilt and innocence
Im just one more hell angel wating for the same….

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

Want you be my friend… I hope so if you are…

Painkillers my life is a mess
Painkillers im feeling nude
without nothing to dress

quarta-feira, outubro 31, 2007

O dia em que chegou o dia

Sabia que chegaria o dia
Em que a mão da razão me tocaria nas costas
E de uma forma perdida a realidade me abraçasse
Perguntando-me o que vivi eu no dia de amanhã
Se terá sido o dia em que tentei viver mais que a vida
Em que sorri entre lábios de tristeza e uma estranha alegria
Resignei-me e despontei as aguarelas quase secas de pensar
De me verem tão cinzento e sedento pela força que me faz caminhar
E aquela vontade de quem nos acompanha no silencio do pensamento
E nos entoa e grita do fundo que nos ameaça um dia tocar
Dai nasce aquele punho cerrado de mão aberta e pujante
Que agarra e enfrenta esse dia que vivo e teimo em passar
Porque hoje chegou esse dia
Em que amanhã sou eu que existo em que amanhã vou estar

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pour toujours cette nuit

Tu sais est dans la nuit que je sens plus ton manque
je me rappelle que le monde existe pour quelque raison.
Les sourires il vient avoir avec moi
Comme une maison pleine d'amis
De bras ouverts je les reçois comme si dans mes bras t'avait à toi
Pour cette éternité qui est notre temps
Et dans le moyen d'eux nous rions et fêtons notre amour
comme deux enfants la récréation à dejouer
Demain de certitude qui sera nôtre
Parce qu'aujourd'hui nous sommes joints dans une nuit
que jamais plus va finir

Te escucho

Hoy me acuerdo de los días que han venido por la paz
Me acuerdo que las calles estaban desnudas y respiraban libertad
Mi fortuna mi voluntad estaba en tus manos llenas de sudor
En el pueblo se gritaba por tu nombre en vagas de amor.

Eres la esperanza que vive aún en la mirada del corazón
Hijos oriundos de la tierra que te creen la raíz de la razón
Grita y pone a caballo por los campos de la virtud
Y lo verás adelante que lo futuro es tu juventud.

Aún quédate por un momento en las palabras de ayer
Tus padres te enseñarán tu espíritu culpable de ver
El tiempo que no cambia para los que luchan
Pero traen felicitad y fuerza para los que escuchan

Hoy me acuerdo el día que viniste por mi paz……
Te escucho.

sábado, outubro 13, 2007

Hoje…Volto para ti amanha

Hoje vi que quando cai não era um dia diferente
Não chorei como quando o acontecia em criança
Também não te conhecia a ti nem a tua gente
Como nessa altura gostaria agora ser cavalo
Para poder fugir a tua imagem que me cansa
Cansa-me estes delírios e mãos tremulas
Que me acompanham a caminho de casa
Vou sozinho porque tu és a minha solidão
De ao afastar-me de ti encontrar-me a mim
Em pensamentos idílicos que te levam em vão
E nem imaginas o quanto ando…km de desilusão!
Nunca pensei que fosses chão sem terra
Terra minha que alimenta esta e aquela ilusão
Ensinou-me nas suas pisadas que toda a gente erra
E nela quanto mais em ti me afasto em ti deixo o coração

quinta-feira, outubro 11, 2007

Um bocado do teu gelado

Da-me um bocado do teu gelado
Da mesma forma quando me deste o primeiro olhar
Numa tarde de calor em que me desafiaste a dar as mãos
Juramos nesse pacto aquecermo-nos no nosso Inverno
Enquanto as tuas palavras juravam mudar o mundo
Eu conquistava terras de eternos sorrisos cor de luz
Sentíamos nos corações aquelas taquicardias de vontade
De ser mais do que nós…Sermos o outro!
Em cada dia que a vida nos leve a lugares incertos
Sabemos sempre onde nos encontrar pela geografia do amor
Por isso te peço que me dês um bocado do teu gelado
Porque não quero perder o sabor a ti.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Tomorrow..Ill be there

The day is gone for tomorrow
Flew in the dark wings of the moon
A stranger in a strange land he sits
On a rock of silence looking like a goon

How long can his legs and arms wait
Being doomed by dispair and lack of faith
A stranger in a rock tosses a dime
Guessing whatever it becomes in time

A journey of pacience in the realm of the night
The shadows of oblivious thoughts are dancing
The music that a stranger whistles so bright
That only tomorrow he will rise up and fight

domingo, outubro 07, 2007

Embriaguez sentimental

Olha como estou eu cansado
De respiração acelerada e magoada
No frio da manha inquieta e desolada
Que se abate sobre os corpos adormecidos
Faltam-me as forças como coirão ressacado
Que vomita da alma pensamentos sentidos

Toco o chão que se arrasta pró infinito
Mais do que o gemer pudesse eu dar um grito!
De me lembrar dos sinais que a idade me deu
E não consigo! E dói-me com tanto atrito!

Encostam-se as mãos suadas no rosto da porta
Que para alem de turva é uma vida torta
Deixa-me respirar só mais esta vez
Porque diz esta noite que o amanhã me conforta

quarta-feira, outubro 03, 2007

Cidade minha

Normal viver um dia
Neste dia em que faz sol e cai a chuva
Em que saio para rua em cada manhã
E só a tua ausência me surpreende
Vou ao encontro de toda aquela gente
Vou um pouco atrás um pouco a frente
Desta mexida urbana sem sentido
Que da vida as montras das lojas
E que sufocam os bancos dos autocarros
Neste barulho social em que cá vai mais um
Este que sou eu, que corre o olhar por ti
Cidade minha, tão diferente que te vestes desta gente
Vejo-te no rosto desta mulher que de irmã passou a tia
De forma igual foste tu menina em que em ti brincava
E como antes se faz o agora,em ti vivo e em ti sorria

sábado, setembro 29, 2007

Hora marcada

Já me ouviste falar da noite
Daquelas horas magicas
Em que vou ao teu encontro
Sei que lá por alguma razão estás
Pergunto-me se esse será o nosso tempo
Que me prometes em palavras gastas
Mas são elas o nosso leito de amor pobre
Nele tenho vivido em rezas de desejos eternos
Mais do que cruzarmo-nos nos olhares alheios
Podermos ter aquele prémio de sermos vida
Porque não esqueci, e vejo-me em ti remar
Nesta agua que bebo, nos teus passos solitários
E eu estou ali e tu por ali estás naquela espera
Em que sigo-te naquele piso de formas diferentes
Que nos aproxima por uma vontade tão igual
Somos os dois que vamos ao encontro de cada qual
Naquelas horas mágicas sobre o signo da nossa noite